Situação Humanitária no Sudão Atinge Níveis Catástroficos para Pessoas com Deficiência
A organização não governamental Humanity & Inclusion alertou que a situação humanitária no Sudão se tornou “catastrófica” para os civis, com um impacto ainda mais severo sobre as pessoas com deficiência, três anos após o início do conflito no país. O alerta foi emitido em uma declaração oficial na quinta-feira, 9 de abril de 2026.
O conflito entre o Exército Sudanês e as Forças de Apoio Rápido, que teve início em abril de 2023, desencadeou uma onda de violência que resultou em uma das crises humanitárias provocadas pelo homem que mais cresce no mundo. De acordo com a Humanity & Inclusion, a situação dos mais vulneráveis continua a se agravar, à medida que a violência persiste, os serviços básicos entram em colapso e ameaças, como a presença de munições não detonadas, tornam-se cada vez mais comuns.
Cenário de Deslocamento e Necessidade de Assistência
A ONG estima que cerca de 11,6 milhões de pessoas foram deslocadas devido ao conflito, enquanto mais de 33 milhões de indivíduos necessitam de assistência humanitária. Além disso, mais de três milhões de pessoas já retornaram para suas casas até o final de janeiro de 2026, incluindo 700 mil que voltaram do exterior. A maioria dos retornos ocorreu em estados onde a violência diminuiu, como Khartoum, Blue Nile e Gezira.
Desafios Extremos para Pessoas com Deficiência
A Humanity & Inclusion destacou que aproximadamente 4,6 milhões de pessoas, cerca de 16% da população do Sudão, vivem com deficiência. A organização observou que, em áreas afetadas pelo conflito, esse número pode ser ainda maior devido a lesões, traumas, deterioração da saúde crônica e barreiras no acesso ao cuidado.
“As pessoas com deficiência enfrentam desafios extremos para fugir da violência, acessar ajuda e se proteger de danos”, afirmaram os representantes da organização. Além disso, elas frequentemente estão entre “as primeiras a serem deixadas para trás e enfrentam riscos significativamente maiores de violência, abuso, discriminação e exclusão”.
Perigos das Munições Não Detonadas
A organização também destacou que os remanescentes explosivos da guerra representam um “novo e mortal perigo” para milhões de deslocados que estão retornando para suas casas. “As áreas de retorno e as antigas linhas de frente estão fortemente contaminadas com munições não detonadas, incluindo minas antipessoal”, indicaram.
Esses perigos estão presentes em lares, escolas, hospitais, locais de culto e nas estradas, constituindo uma ameaça constante para os civis e restringindo severamente o acesso a serviços essenciais e meios de subsistência.
