Na quarta-feira (16), a Câmara dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que permite a aplicação de tarifas de até 100% sobre países que adquirirem petróleo, gás e derivados da Rússia. A medida pretende pressionar o governo de Vladimir Putin a buscar um cessar-fogo no conflito envolvendo a Ucrânia.
O Brasil, que já enfrenta tarifas americanas de 25% e 12,5% sobre alguns produtos, poderá ser impactado por essa nova sobretaxa, devido ao aumento das importações russas de diesel nos últimos anos. O combustível russo tem se tornado mais acessível por conta da busca da Rússia por mercados alternativos, diante das sanções ocidentais impostas após o início da guerra.
Repercussão internacional e próximos passos
Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, classificou a iniciativa americana como uma ação hostil capaz de dificultar os esforços para alcançar uma solução pacífica no conflito. Segundo ele, as sanções adicionais complicam ainda mais as negociações.
O projeto segue agora para a sanção do então presidente Donald Trump. A decisão final sobre o percentual das tarifas será tomada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, responsável pelas recentes sobretaxas contra produtos brasileiros.
Importações brasileiras da Rússia em 2026
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil importou US$ 7,15 bilhões em produtos russos, valor ligeiramente maior que os US$ 7,03 bilhões do mesmo período no ano anterior.
Apesar do aumento anual, houve uma redução nas compras nos últimos meses. A ofensiva ucraniana contra refinarias russas elevou o preço do diesel importado, incentivando o Brasil a diversificar fornecedores, incluindo os Estados Unidos e a Índia.
- Em abril de 2026, as importações brasileiras da Rússia totalizaram US$ 1,38 bilhão.
- Em agosto do mesmo ano, esse valor caiu para US$ 433,8 milhões.
Com essa mudança, o impacto da nova tarifa americana pode trazer ajustes importantes nas relações comerciais entre Brasil e Rússia, especialmente no setor energético.




