Crescimento das bicicletas elétricas no Brasil aumenta desafios para fiscalização e segurança no trânsito

O Brasil registra crescimento acelerado no uso de bicicletas elétricas e veículos leves autopropelidos, com mais de 850 mil unidades em circulação. Esse aumento tem mudado a dinâmica do trânsito nas cidades, mas também trouxe à tona dificuldades para a fiscalização e o aumento de conflitos e acidentes.

Regulamentação e limitações técnicas

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), para ser considerada uma bicicleta elétrica, o veículo deve possuir motor auxiliar de até 1.000 watts e sistema de pedal assistido, que ativa o motor apenas enquanto o ciclista pedala. A velocidade máxima permitida é 32 km/h, e o equipamento não pode incluir acelerador manual.

Veículos que possuem acelerador ou motor a combustão se enquadram na categoria de ciclomotores, que exigem registro, licenciamento e habilitação para condução. Por outro lado, bicicletas elétricas regulares não precisam de placas ou registro atrelado ao condutor, dificultando a aplicação de multas por radares automáticos.

Fiscalização e modificações ilegais

A fiscalização depende exclusivamente da abordagem direta por agentes de trânsito, que devem flagrar infrações no momento da ocorrência. O controle se complica com a prática de alterações ilegais nas bicicletas, como o aumento de potência ou velocidade, que muitas vezes só são detectadas durante vistorias técnicas específicas.

A inexistência da obrigatoriedade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para conduzir bicicletas elétricas permite que muitas pessoas circulem sem conhecimento formal das regras de trânsito, o que contribui para comportamentos arriscados.

Comportamentos de risco e impactos em cidades

Especialistas relacionam a falta de formação formal à circulação em contramão, avanço de sinais vermelhos e desrespeito a pedestres. Em Curitiba, as autoridades municipais observaram aumento no fluxo e nas colisões em locais de cruzamentos e espaços compartilhados, reforçando a necessidade de investimentos em campanhas educativas e melhorias na infraestrutura.

Expansão do mercado e benefícios para usuários

A popularização do modal é impulsionada pela economia e agilidade nos deslocamentos urbanos. No primeiro semestre de 2026, a produção de bicicletas elétricas no Polo Industrial de Manaus cresceu 87% em comparação ao mesmo período de 2025.

Os preços dos modelos começam em torno de R$ 2 mil, tornando-os uma opção mais acessível em relação ao carro e ao transporte público. Usuários destacam redução significativa no tempo de viagem, que pode cair de quase uma hora de automóvel para cerca de 20 minutos, além de custos menores com manutenção e recarga.

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