O governo federal anunciou na quinta-feira, 17 de setembro, um aumento de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício para R$ 691. O primeiro pagamento com o novo valor está previsto para 19 de outubro, uma semana antes do segundo turno das eleições.
Essa atualização, que vai custar R$ 5,8 bilhões para o restante de 2026, tem como objetivo recuperar a inflação acumulada desde o último reajuste. Atualmente, o programa atende mais de 19 milhões de famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa.
Custos e comparação com outros investimentos
O montante adicional previsto para 2026 equivale a quase 20 mil projetos do Novo PAC Saúde, incluindo unidades médicas e ambulâncias. Pela mesma quantia, seria possível construir cerca de 2.500 postos de saúde ou adquirir mais de 16 mil ambulâncias do Samu.
Detalhes do reajuste e regras do programa
Com o aumento, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio por família sobe de R$ 675 para R$ 777. O Bolsa Família inclui uma regra de transição que permite às famílias que aumentem sua renda continuar recebendo metade do benefício por até um ano, desde que a renda por pessoa não ultrapasse R$ 706, facilitando a saída gradual do programa.
Desafios fiscais para 2027
O maior impacto financeiro estará em 2027, quando o reajuste chegará a R$ 22,7 bilhões por ano. Como essa despesa não foi prevista no orçamento aprovado pelo Congresso, o governo terá que realizar cortes significativos em outras áreas para manter as despesas dentro do limite permitido.
Especialistas indicam que pode ser necessário contingenciar até R$ 57,7 bilhões em gastos para cumprir as metas fiscais no próximo ano. Caso contrário, o governo corre o risco de adotar manobras contábeis ou aumentar a arrecadação para equilibrar as contas públicas.
Reação e controvérsia política
Economistas questionam a decisão do governo de implementar o reajuste às vésperas do segundo turno eleitoral, já que a inflação acumulada justificaria o aumento desde o início do ano. Se o índice tivesse sido corrigido em janeiro, o impacto no poder de compra teria sido distribuído ao longo dos meses.
A data escolhida para o início dos pagamentos levou a críticas que apontam uso eleitoral do programa, com a medida sendo interpretada por opositores como uma tentativa de conquistar votos em um momento delicado da disputa política.




