No início de setembro, a Embraer atingiu a marca de 2.000 unidades entregues da família E-Jets, ao entregar um E195-E2 para a Azul. Com isso, a série passa a figurar entre as três mais comercializadas mundialmente, atrás apenas das famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing.
Desde o lançamento em 2004, a linha E-Jets opera em cerca de 60 países, servindo mais de 90 companhias aéreas e transportando mais de 2,8 bilhões de passageiros. Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer, ressaltou que a entrega do 2.000º avião representa um marco importante para a empresa e para o transporte aéreo global.
Crescimento e desafios da Embraer
A Embraer, com sede em São José dos Campos (SP), tem sido reconhecida pelo mercado pela sua trajetória recente. A revista The Economist destacou que essa expansão ocorre em meio às dificuldades de produção enfrentadas pela Airbus e Boeing, que impactam a oferta de aeronaves.
o setor de aviação comercial tem passado por uma reconfiguração, com a Boeing enfrentando crises como as relacionadas ao 737 MAX e a Airbus solidificando sua liderança com a linha A320. A pandemia também fez as companhias aéreas preferirem aviões menores e com maior flexibilidade, favorecendo a Embraer.
Na comparação com a Bombardier, a família E-Jets ultrapassou o modelo CRJ em número de entregas. Segundo a The Economist, o preço das ações da Embraer subiu cerca de dez vezes desde o início de 2021, superando a valorização da Airbus e Boeing.
As projeções da empresa indicam um salto nas entregas, de 141 aviões em 2021 para 255 em 2026. Em julho, a carteira de pedidos firmes atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões, acumulando sete trimestres consecutivos de alta.
Fatores que impulsionam o desempenho
Um dos principais motivos para o crescimento da Embraer são as limitações de capacidade enfrentadas pelas concorrentes, principalmente na cadeia de suprimentos. Enquanto Airbus e Boeing precisam esperar até dez anos para entregar certos jatos, a Embraer consegue concluir a produção da família E2 em menos de dois anos.
Nos Estados Unidos, o E175 mantém uma posição praticamente exclusiva na aviação regional, sendo o único jato da categoria em produção que cumpre as restrições trabalhistas das companhias aéreas americanas.
Além da aviação comercial, a Embraer tem avançado em setores como a aviação executiva e defesa. O cargueiro KC-390 Millennium tem impulsionado o segmento de Defesa e Segurança, cuja carteira de pedidos alcançou US$ 6,1 bilhões, aumento de 42% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Recentemente, a Colômbia adquiriu duas unidades do KC-390, tornando-se o 13º país a operar o modelo. O maior contrato internacional, no valor estimado entre US$ 170 milhões e US$ 190 milhões por unidade, foi firmado com os Emirados Árabes Unidos para dez cargueiros.
Perspectivas e investimentos futuros
A Índia desponta como mercado potencial para a Embraer, que disputa fornecimento de 60 a 80 unidades do KC-390 e negocia com o grupo Adani a entrada do E175 no mercado civil local. A empresa avalia a possibilidade de instalar uma linha de produção para a família E-Jets no país, embora exija um pedido mínimo de 200 aeronaves para viabilizar o investimento.
Outro destaque é a subsidiária Eve Air Mobility, que desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL). Em agosto, o protótipo realizou com sucesso seu primeiro voo com transição entre os modos vertical e horizontal.
Limitações e desafios na produção
Apesar dos avanços, a Embraer enfrenta dificuldades na cadeia de suprimentos, que restringem a produção. A capacidade instalada permite montar até 105 jatos comerciais por ano, mas atrasos, especialmente nos motores, limitam as entregas a 80 ou 85 unidades em 2026.
Além da escassez de componentes eletrônicos e peças forjadas, a falta de mão de obra qualificada também impacta o ritmo de produção. A empresa ainda convive com contratos firmados durante a pandemia, que apresentam margens menores, o que levou analistas a apontar que o maior risco da companhia atualmente está na execução e não na demanda.
A Embraer também lida com custos mais elevados de materiais e incertezas externas, como variações no preço do combustível e a necessidade de financiamento externo para suas operações.
Diante do crescimento, a fabricante brasileira estuda o desenvolvimento de um novo jato comercial de corredor único e maior porte, buscando expandir ainda mais sua presença no mercado global.




