A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, divulgou nesta quinta-feira (23) um relatório que indica uma deterioração significativa da saúde financeira de um conjunto expressivo das empresas estatais federais, incluindo tanto as dependentes quanto as não dependentes do Tesouro.
O documento aponta que essa piora é evidenciada por resultados como patrimônio líquido negativo, fluxo de caixa operacional deficitário e margens operacionais negativas em companhias como Codevasf, Correios, Emgepron e Infraero.
Riscos fiscais aumentam para o governo federal
A IFI destaca que esse contexto eleva o risco fiscal para o Tesouro Nacional. Isso ocorre tanto pela possível necessidade de aportes e suplementações orçamentárias para as estatais dependentes, quanto pela redução da capacidade das empresas não dependentes em distribuir dividendos.
O relatório esclarece que não pretende abordar a questão da privatização dessas companhias, já que esse tema envolve análise complexa que vai além dos aspectos financeiros, englobando também os retornos sociais esperados dessas empresas sob controle estatal.
Previsões orçamentárias e desempenho recente das estatais
De acordo com o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, enviado ao Congresso em abril, o Executivo reconhece que as estatais federais estão em déficit desde 2023 e devem permanecer nessa situação até 2030. Déficit significa que os gastos totais superam as receitas geradas.
Dentro das estatais dependentes, a IFI identificou que empresas como Codevasf, CBTU, Embrapa, HCPA e EBSERH apresentam trajetórias financeiras que se distanciam das observadas antes de 2018, com indicadores negativos de patrimônio líquido, fluxo de caixa operacional e suficiência de caixa.
Entre as estatais não dependentes, os indicadores apontam para fragilidades diversas, mas igualmente preocupantes, especialmente quanto à margem operacional, exposição a receitas financeiras e qualidade do lucro.
Casos emblemáticos: Correios e medidas adotadas
Os Correios se destacam pelo agravamento do rombo financeiro, que triplicou em 2025 e alcançou R$ 8,5 bilhões. O governo reconhece a possibilidade de que essa situação se mantenha ou até piore, apesar do plano de reestruturação em curso.
Para enfrentar esse déficit, a estatal firmou em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos, garantido pelo Tesouro Nacional. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional permitiu que os Correios possam captar até mais R$ 8 bilhões em empréstimos adicionais com garantias da União.
em maio, o governo autorizou a empresa a expandir suas atividades comerciais, incluindo a venda de seguros, títulos de capitalização e atuação no mercado de telefonia, por meio de convênios com instituições financeiras.
Motivos da piora nos Correios
A IFI relaciona a situação delicada dos Correios a fatores internos e externos que impactaram seu desempenho financeiro, embora o relatório não detalhe todos os elementos específicos que contribuíram para esse quadro.
